Finalmente, a primeira casa do poeta

Em La Chascona, o primeiro encontro com Neruda

Os visitantes se revesam, pois os pequenos ambientes da casa construída por Neruda para sua terceira mulher e seu grande amor, Matilde Urrutia, não permitem o trânsito de muita gente. A casa não apresenta aspectos faustosos, mas assimilou os gostos pessoais do poeta, que imprimiu detalhes fascinantes no projeto original do arquiteto catalão Germán Rodriguez Arias. O terreno, descoberto pelos dois amantes que ainda se escondiam dos olhares da sociedade (Neruda era casado com Delia del Carril quando conheceu Matilde e por ela se apaixonou) se encontra em uma das ladeiras do Cerro San Cristóbal, no bairro Bella Vista, em Santiago. O arquiteto propôs que a casa fosse voltada para o sol, mas o poeta queria uma vista para a cordilheira, o que resultou em mudança da orientação da construção. Foram tantas as intervenções de Neruda que, ao final, Germán Rodriguez reconheceu que o projeto era mais criação de Neruda do que dele. Cômodos pequenos: “para viver um grande amor”, como diria Vinicius de Moraes, amigo do poeta. Vários ambientes separados, acrescentados ao correr do tempo e ganhando espaços na montanha. Por isso, várias escadas, de um plano a outro. Até passagem secreta, simulando um armário, que conduzia à parte íntima da casa, do escritório e dos aposentos de Matilde. Um ninho de paixões astuciosamente protegido.

Visão da entrada pincipal, com as várias construções que compõem a residência.No alto, a sala envidraçada onde o poeta foi velado, em 23 de setembro de 1973

Visão da entrada principal, com as várias construções que compõem a residência.No alto, a sala envidraçada onde o poeta foi velado, em 23 de setembro de 1973

A primeira explicação é sobre o nome da casa, batizada também em homenagem a Matilde e seus cabelos ruivos. Era assim que ele a chamava, carinhosamente. A própria Matilde recordava que, quando caminhavam pelo bairro chamado Bella Vista, encontraram um terreno à venda, no início da encosta do cerro San Cristóbal. Era coberto de sarças e tinha um declive bastante pronunciado. “Estávamos como que enfeitiçados por um ruído de água, era una verdadeira catarata a que vinha pelo canal, no topo do lugar.” Tomados pelo entusiasmo, decidiram comprá-lo. Tempos depois, em seu poema “La Chascona”, del libro La barcarola, Neruda evocaria a “água que corre escrevendo em seu idioma”, e as sarças “que guardavam o lugar com sua sanguinária ramagem”.  Talvez a ondulada cabeleira ruiva de Matilde tenha sugerido a metáfora da água ondulante e das sarças vermelhas.

Em “Cem Sonetos de Amor” Neruda canta aos cabelos de Matilde, no Soneto XIV:

Me falta tiempo para celebrar tus cabellos.
Uno por uno debo contarlos y alabarlos:
otros amantes quieren vivir con ciertos ojos,
yo sólo quiero ser tu peluquero.

En Italia te bautizaron Medusa
por la encrespada y alta luz de tu cabellera.
Yo te llamo chascona mía y enmarañada:
mi corazón conoce las puertas de tu pelo.

Cuando tú te extravíes en tus propios cabellos,
no me olvides, acuérdate que te amo,
no me dejes perdido ir sin tu cabellera.

por el mundo sombrío de todos los caminos
que sólo tiene sombra, transitorios dolores,
hasta que el sol sube a la torre de tu pelo.

 ***

Falta-me tempo para celebrar teus cabelos. 
Um por um devo contá-los e louvá-los: 
outros amantes querem viver com certos olhos, 
eu quero somente ser teu cabeleireiro. 

Na Itália te batizaram de Medusa 
pela encrespada e alta luz de tua cabeleira. 
Eu te chamo chascona minha e emaranhada: 
meu coração conhece as portas de teu pelo. 

Quando tu te extravies em teus próprios cabelos, 
não me esqueças, lembra que te amo, 
não me deixes perdido ir sem tua cabeleira 

pelo mundo sombrio de todos os caminhos 
que só tem sombra, transitórias dores, 
até que o sol sobe à torre de teu pelo.

Versão ao Português de Cleto de Assis
Fragmento do Soneto XIV, de "Cem Sonetos de Amor", autografado pelo poeta

Fragmento do Soneto XIV, de “Cem Sonetos de Amor”, autografado pelo poeta

O pintor Diego Rivera, amigo do poeta, que conhecia seu amor secreto, fez um retrato de Matilde, com duas cabeças, que simbolizaria a dualidade dessa união, na fase que Neruda tramitava sua separação com Delia del Carril. Conta-se que a casa deveria denominar-se de Medusa, no início, em alusão aos cabelos encaracolados de Matilde, como sugere o soneto acima, mas Pablo Neruda decidiu batizá-la definitivamente de La Chascona.

Retrato de Matilde - pintura de Diego Rivera. No lado direito,  o artista sugeriu o perfil de Neruda, formado pelos cabelos ondulados

Retrato de Matilde – pintura de Diego Rivera. No lado direito, o artista sugeriu o perfil de Neruda, oculto nos cabelos ondulados

Com muita emoção, visitei cada canto da casa e dos terrenos que a compõem. E notei que, de certa forma, houve uma coincidência com o texto postado anteriormente, no qual anunciei a viagem ao Chile. Na montagem da ilustração da Ode ao Vinho, coloquei cachos de uva à frente de uma das casas-museu. Em La Chascona, encontrei uma parreira com uvas ainda verdes, a formar um pequeno portal no início de uma das escadas, como a demonstrar que esse símbolo que povoou a poesia nerudiana renasce todos os anos para nos provar que o poeta ainda está por ali, à espera dos amigos que ele tanto gostava de receber.

Encontrei-me com Neruda por meio de suas uvas ainda verdes. Alusão ao menino perdido em Parral (Parreiral, em Português) e recuperado na construção das casas, como se fossem brinquedos? (Foto de Teresas Vargas Sierra)

Encontrei-me com Neruda por meio de suas uvas ainda verdes. Alusão ao menino perdido em Parral (Parreiral, em Português) e recuperado na construção das casas, como se fossem brinquedos? (Foto de Teresas Vargas Sierra)

Entretanto, o encantamento que o motivou a construir La Chascona, em Santiago, La Sebastiana, em Valparaíso, e Isla Negra, em El Quisco, como se fossem brinquedos de infância, como ele mesmo reconheceria, foi substituído, na casa santiaguina, por duas tragédias. A primeira, sua semidestruição, com janelas quebradas por vândalos e inundação de parte da construção, causada pelo desvio do canal que antes regava a propriedade. A segunda, em tempo coincidente, foi a morte do poeta, doze dias após do golpe de estado liderado pelo general Augusto Pinochet. Após saber da rebelião militar e da terrível morte imposta pelos militares a Victor Jara, Neruda, que se encontrava em Isla Negra, decidiu abandonar o Chile e ir para o México, onde tentaria organizar um governo de exílio. Mas sua saúde não estava em ordem e por isso a família resolveu fazer exames em um hospital de Santiago, adiando por um dia a viagem já programada, em um avião que lhe mandara o governo mexicano. No dia seguinte, 23 de setembro de 1973 veio a falecer, segundo os médicos por problemas cardíacos. Sua morte até hoje é discutida, pois seu assessor e motorista, que o acompanhou até o hospital, levantou dúvidas, levado muita gente a acreditar que Neruda teria sido envenenado. Recentemente seus restos mortais foram exumados e três laboratórios de diferentes países fizeram análises. Nada foi encontrado que corroborasse a tese de morte causada por terceiros. Somente sinais de medicamentos utilizados para o tratamento da enfermidade – um câncer de próstata – que assaltava Neruda, na época.

Velório de Neruda, foto do jornalista brasileiro Evandro Teixeira (Jornal do Brasil), que fez a cobertura de sua morte

Velório de Neruda, foto do jornalista brasileiro Evandro Teixeira (Jornal do Brasil), que fez a cobertura de sua morte

A história registrou a coragem de Matilde, que decidiu velar o corpo de Neruda, em companhia de alguns amigos, em La Chascona. Depois ela passou a recuperar o local, pacientemente, e ali viveu até sua morte, em 5 de janeiro de 1985. Ontem, portanto, completaram-se 29 anos de seu falecimento, após o que a casa foi transformada em museu, assim como as outras duas. Porém, Matilde tinha outra missão a cumprir: levar o corpo de Pablo Neruda para Isla Negra, conforme ele havia determinado, poeticamente:

Compañeros, enterradme en Isla Negra, / frente al mar que conozco, a cada área rugosa de piedras/ y de olas que mis ojos perdidos/ no volverán a ver…” (Companheiros, enterrai-me em Isla Negra, / frente ao mar que conheço, a cada área rugosa de pedras/ e de ondas que meus olhos perdidos/ não voltarão a ver…).

Não o conseguiu em vida, mas em dezembro de 1992 finalmente seu desejo foi cumprido e ele foi enterrado em sua casa predileta ao lado da amada Matilde, frente ao Oceano Pacífico, que “saía do mapa. Não havia onde colocá-lo. Era tão grande, desordenado e azul que não cabia em nenhuma parte. Por isso o deixaram em frente a minha janela”.

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Há um texto riquíssimo que conta, em detalhes, como foi velado o corpo do poeta, em La Chascona, escrito por uma amiga que tudo viu. Como é longo, deixo o endereço eletrônico para quem quiser conhece-lo. http://www.archivochile.com/Homenajes/neruda/sobre_neruda/homenajepneruda0031.pdf

Por que NERUDA?

Ele nasceu com um nome mais extenso: Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto. Mas seu pai devia ter outros planos para seu futuro e não admitiria um poeta como filho. Aos 17 anos, já tocado pelas musas da Poesia, ele criou o pseudônimo definitivo, com o qual ascenderia à glória da literatura mundial. Em sua casa santiaguina existe uma placa de mármore, colocada no ano de 2000, na qual se oferece uma versão sobre a escolha do sobrenome, que teria sido uma homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda (1834-1891). Dizem que o poeta chileno jamais desmentiu e também nunca confirmou essa versão. Alguns até a consideram improvável, porque o jovem Ricardo Neftalí, quando decidiu adotar o nome literário, vivia em uma época em que seria quase impossível haver livros de Jan Neruda traduzidos.

Placa da versão tcheca sobre a adoção do nome Neruda. O poeta não confirmou, nem desmentiu

Placa da versão tcheca sobre a adoção do nome Neruda. O poeta não confirmou, nem desmentiu

A versão mais verossímil diz ter sido a leitura de um livro de Arthur Conan Doyle, Um estudo em vermelho, que lhe levou a conhecer uma violinista moraviana, incluída nas aventuras de Sherlock Holmes, cujo nome de casada era Wilma Norman-Neruda, nascida Wilhelmine Maria Franziska Neruda ou Guillermina Maria Francisca Neruda (1838-1911). No livro, o detetive inglês, também apaixonado por violino, informa que iria escutar um concerto da famosa violinista. Daí teria nascido a escolha do nome do poeta.

E o prêmio não foi para...

Publicaram os jornais de Santiago do último sábado (04.jan.14), 50 anos depois de o poeta Pablo Neruda ter sido indicado ao Prêmio Nobel de Literatura (galardão que conquistaria mais tarde, em 1971), que, naquele ano de 1963, ele teria sido preterido em razão de sua militância junto ao Partido Comunista. Segundo as notícias, papéis secretos do Nobel foram finalmente liberados, dando conta que Neruda, indicado ao prêmio com mais quatro escritores (o irlandês Samuel Beckett, o japonês Yukio Mishima, o dinamarquês Aksel Sandemose, o britânico-estadunidense W. H. Auden e o grego Giorgos Seferis), teve levantada contra ele a tese de que “a tendência comunista, cada vez mais dominante em sua poesia” não seria “consistente com o propósito do Prêmio Nobel”. Na análise conclusiva do Comitê do Nobel, quando o poeta chileno já figurava entre um trio finalista, foi escolhido o grego Giorgios Seferis. A notícia cita como fonte principal o presidente do Comitê do Nobel e secretário permanente da academia naquele ano, Anders Osterling.

A informação e sua justificativa, no entanto, não coincidem com o objetivo do prêmio criado pelo sueco Alfred Nobel, que é distinguir personalidades importantes em diversas áreas, independentemente de critérios como a nacionalidade, a raça, a religião e a ideologia. Se cometido o erro, oito anos depois ele foi corrigido, com a merecida entrega do Nobel de Literatura de 1971 a Neruda.

Indicado em 1963, Neruda receberia o Prêmio Nobel de Literatura 13 anos depois

Indicado em 1963, Neruda receberia o Prêmio Nobel de Literatura 13 anos depois

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Autorretrato

Pablo Neruda

Por mi parte,
soy o creo ser duro de nariz,
mínimo de ojos,
escaso de pelos en la cabeza,
creciente de abdomen,
largo de piernas,
ancho de suelas,
amarillo de tez,
generoso de amores,
imposible de cálculos,
confuso de palabras,
tierno de manos,
lento de andar,
inoxidable de corazón,
aficionado a las estrellas, mareas, maremotos,
administrador de escarabajos,
caminante de arenas,
torpe de instituciones,
chileno a perpetuidad,
amigo de mis amigos,
mudo de enemigos,
entrometido entre pájaros,
mal educado en casa,
tímido en los salones,
arrepentido sin objeto,
horrendo administrador,
navegante de boca,
yerbatero de la tinta,
discreto entre los animales,
afortunado de nubarrones,
investigador en mercados,
oscuro en las bibliotecas,
melancólico en las cordilleras,
incansable en los bosques,
lentisimo de contestaciones,
ocurrente años después,
vulgar durante todo el año,
resplandeciente con mi cuaderno,
monumental de apetito,
tigre para dormir,
sosegado en la alegría,
inspector del cielo nocturno,
trabajador invisible,
desordenado, persistente,
valiente por necesidad,
cobarde sin pecado,
soñoliento de vocación,
amable de mujeres,
activo por padecimiento,
poeta por maldición y tonto de capirote.

Poster exposto em um dos jardins de La Chascona (foto de C. de Assis)

Poster exposto em um dos jardins de La Chascona (foto de C. de Assis)

Autorretrato

De minha parte,
sou ou creio ser duro de nariz,
mínimo de olhos,
escasso de pelos na cabeça,
crescente de abdômen,
comprido de pernas,
largo de solas,
amarelo de tez,
generoso de amores,
impossível de cálculos,
confuso de palavras,
terno de mãos,
lento de andar,
inoxidável de coração,
aficionado às estrelas, marés, maremotos,
administrador de escaravelhos,
caminhante de areias,
torpe de instituições,
perpetuamente chileno,
amigo de meus amigos,
mudo de inimigos,
intrometido entre pássaros,
mal educado em casa,
tímido nos salões,
arrependido sem objeto,
horrendo administrador,
navegante de boca,
ervateiro da tinta,
discreto entre os animais,
afortunado nos nuvarrões,
investigador em mercados,
obscuro nas bibliotecas,
melancólico nas cordilheiras,
incansável nos bosques,
lentíssimo de contestações,
ocorrente anos depois,
vulgar durante todo o ano,
resplandecente com meu caderno,
monumental de apetite,
tigre para dormir,
sossegado na alegria,
inspetor do céu noturno,
trabalhador invisível,
desordenado, persistente,
valente por necessidade,
covarde sem pecado,
sonolento por vocação,
amável com mulheres,
ativo por padecimento,
poeta por maldição e bobo com chapéu de burro.

versão ao Português de Cleto de Assis

Salve 2014!

Primeiros dias chilenos

Cheguei em Santiago na terça-feira, 31 de dezembro. O sol se punha junto ao mar, não visível do avião, mas supondo seu declínio nas sombras da cordilheira. Recepção encantadora de parentes, festa para terminar a noite última do ano velho. No primeiro dia do ano, tempo de preguiça e de programar as primeiras visitas ao centro da cidade. Já nos primeiros passeios notei, pelo assédio dos distribuidores de felipetas das agências de turismo, que as casas-museus de Neruda estão em quase todos os roteiros de Santiago e do litoral mais próximo, Viña del Mar e Valparaíso. Vou marcar próximos encontros com o poeta em seus santuários.

No jornal El Mercurio de hoje, descobri que se programava, para amanhã, 4 de janeiro, um encontro de poetas e múcicos para homenagear Nicanor Parra, decano ainda vivo de quatro gerações de artistas, irmão de Violeta e Roberto Parra, outros dois grandes poetas e músicos chilenos. Mas a Internet, mais rápida que os órgãos impressos, já anunciou o cancelamento do evento, que seria uma espécie de avant-première do VI Encontro Internacional de Poetas e Intelectuais, organizado pelo movimento Chile-Poesia e programado pera setembro de 2014, quando o poeta completará 100 anos.

Nicanor Parra: 10 x 10

Nicanor Parra: 10 x 10

O evento, denominado “Las Cruces de Parra”, teria lugar na praia “Las Cadenas”, no litoral central do Chile, onde o criador da antipoesia e ganhador do Prêmio Cervantes 2011 vive há vários anos, com pouco ou nenhum contato com o exterior e sem aceitar entrevistas, nos últimos tempos.

Nicanor Parra, cuja obra prima “Poemas y Antipoemas” completa em 2014 cinquenta anos de publicação, nasceu a 5 de setembro de 1914 na localidade de San Fabián de Allico, na província de Ñuble, no sul do Chile. A atividade, com entrada livre, contaria com a presença de conhecidos poetas e músicos, segundo anunciou Chile-Poesía em sua página eletrônica.

Entre los poetas figurariam Erick Pohlhammer, Lila Díaz Calderón, Lorena Tiraferri Arce, José María Memet, Carmen Berenguer, Julio Carrasco, Ana María Falconí, Germán Lamoza, Mario Barahona, Guillermo Bown, Jean Jacques Pierre-Paul e Amador Ruiz. Da área musical, se anunciavam María Colores, Sol y Lluvia, Iván Torres & Zapatillas Social Blues, Mauricio Redolés & Los Descuentos, Catalina Rojas & Los Parecidos, Jorge Jiménez & La Rompehuesos, Claudio Narea & Los Indicados, além de bandas e solistas daquela região.

O encontro, segundo Chile-Poesia, pretendia ampliar o reconhecimento a uma das figuras mais destacadas da história literária e cultural do Chile, que mudou a poesia de língua castelhana, também ganhador dos prêmios Juan Rulfo, em 1991, Rainha Sofia (2001) e o Prêmio Ibero-americano de Poesia Pablo Neruda (2012).

Próximo a completar cem anos, o autor de “Hojas de Parra”, “Poemas para combatir la Calvicie” e “Sermones y Prédicas del Cristo de Elqui”, entre outras obras, “está lúcido, em pé, com boa saúde e criando”, afirmo Chile-Poesia. Até setembro, os festejos em honra ao também criador dos “artefatos”, explosivos poemas breves (“Cuba sí, yanquis también” ou “La Izquierda y la Derecha unidas, jamás serán vencidas”), se manifestarão em muitas outras atividades orientadas a homenageá-lo, potencializar a Poesia, reunir grandes figuras da lírica mundial com poetas chilenos e intervir nos espaços públicos.

Inicio a homenagem do Banco da Poesia aos poetas chilenos com dois poemas de Nicanor e um de Violeta, este já com vistas a enfrentar o ano político do Brasil, quando deverão ser repetidos os insípidos discursos dos candidatos.

Último Brindis

Lo queramos o no
sólo tenemos tres alternativas:
el ayer, el presente y el mañana.

Y ni siquiera tres
porque como dice el filósofo
el ayer es ayer
nos pertenece sólo en el recuerdo:
a la rosa que ya se deshojó
no se le puede sacar otro pétalo.

Las cartas por jugar
son solamente dos:
el presente y el día de mañana.

Y ni siquiera dos
porque es un hecho bien establecido
que el presente no existe
sino en la medida en que se hace pasado
y ya pasó…
como la juventud.

En resumidas cuentas
sólo nos va quedando el mañana:
yo levanto mi copa
por ese día que no llega nunca
pero que es lo único
de lo que realmente disponemos.

Nicanor_último_brinde

Último Brinde

Queiramos ou não
somente temos três alternativas:
o ontem, o presente e o amanhã.

E nem sequer três
porque, como diz o filósofo,
o ontem é ontem
nos pertence somente na recordação:
da rosa que já se despetalou
não se pode tirar outra pétala.

As cartas de jogar
são somente duas:
o presente e o dia de amanhã.

E nem sequer duas
porque é um fato bem estabelecido
que o presente não existe
senão na medida em que se faz passado
e já passou…
como a juventude.

Em resumidas contas
só nos vai estando o amanhã:
eu levanto meu copo
por esse día que não chega nunca
porém é o único
de que realmente dispomos.

Test

Qué es un antipoeta:
un comerciante en urnas y ataúdes?
un sacerdote que no cree en nada?
un general que duda de sí mismo?
un vagabundo que se ríe de todo
hasta de la vejez y de la muerte?
un interlocutor de mal carácter?
un bailarín al borde del abismo?
un narciso que ama a todo el mundo?
un bromista sangriento
deliberadamente miserable?
un poeta que duerme en una silla?
un alquimista de los tiempos modernos?
un revolucionario de bolsillo?
un pequeño burgués?
un charlatán?

un dios?

un inocente?

un aldeano de Santiago de Chile?
Subraye la frase que considere correcta.

Qué es la antipoesía:
un temporal en una taza de té?
una mancha de nieve en una roca?
un azafate lleno de excrementos humanos
como lo cree el padre Salvatierra?
un espejo que dice la verdad?
un bofetón al rostro
del Presidente de la Sociedad de Escritores?
(Dios lo tenga en su santo reino)
una advertencia a los poetas jóvenes?
un ataúd a chorro?
un ataúd a fuerza centrífuga?
un ataúd a gas de parafina?
una capilla ardiente sin difunto?

Marque con una cruz
la definición que considere correcta.

Nicanor_Test

Teste

Que é um antipoeta:
um comerciante de urnas e ataúdes?
um sacerdote que não crê em nada?
um general que duvida de si mesmo?
um vagabundo que ri de tudo
até da velhice e da morte?
um interlocutor de mau caráter?
um bailarino à borda do abismo?
um narciso que ama a todo mundo?
um piadista sangrento
deliberadamente miserável?
um poeta que dorme em uma cadeira?
um alquimista dos tempos modernos?
um revolucionário de bolso?
um pequeno burguês?
um charlatão?

um deus?

um inocente?

um aldeão de Santiago do Chile?
Sublinhe a frase que considere correta.

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MIREN

 Violeta Parra

Miren cómo sonríen
los presidentes
cuando le hacen promesas
al inocente.

Miren cómo le ofrecen
al Sindicato
este mundo y el otro
los candidatos.

Miren cómo redoblan
los juramentos,
pero después del voto
doble tormento.

Miren el hervidero
de vigilante
«para rodar de flores
al estudiante».

Miren cómo relumbran
carabineros
«para hacerle premios
a los obreros».

Miren cómo se visten
cabo y sargento
para teñir de rojo
los pavimentos.

Miren cómo profanan
las sacristías
con pieles y sombreros
de hipocresía.

Miren cómo blanquean
mes de Maria
y aL pobre negreguean
la luz del día.

Miren cómo le muestran
una escopeta
para quitarle al pobre
su marraqueta.

Miren cómo se empolvan
los funcionarios
para contar las hojas
del calendario.

Miren cómo sonríen,
angelicales,
miren como se olvidan
que son mortales.

bolsas polí
VEJAM

Vejam como sorriem
os presidentes
ao fazer promessas
aos inocentes.

Vejam como oferecem
ao Sindicato
este mundo e o outro
os candidatos.

Vejam como redobram
os juramentos,
mas depois do voto
duplo tormento.

Vejam o formigueiro
de vigilantes
«para rodear de flores
os estudantes».

Vejam como deslumbram
os mercenários
«para entregar prêmios
aos operários».

Vejam como se vestem
cabo e sargento
para tingir de rubro
os pavimentos.

Vejam como profanam
as sacristias
com peles e chapéus
de hipocrisia.

Vejam como branqueiam
mês de Maria
e ao pobre negaceiam
a luz do dia.

Vejam como lhe mostram
uma espingarda
para tirar do pobre
sua fornada.

Vejam como se maquiam
os funcionários
para contar as folhas
do calendário.

Vejam como sorriem,
angelicais,
vejam como se esquecem
que são mortais.

***

Rumo ao berço de Neruda

Estou tomando o rumo do Sul, em direção à pátria de Pablo Neruda. Pretendo descansar, divertir-me, degustar os sabores do Chile e conhecer a nova poesia chilena. Vou percorrer o triângulo de Neruda, formado pelos vértices de Santiago, Valparaiso e El Quisco, onde se encontram as três casas do poeta – La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra, respectivamente.

Sobre esta, considerada a principal casa-museu de Neruda, o poeta deixou escrito: “En mi casa he reunido juguetes pequeños y grandes, sin los cuales no podría vivir. Son mis propios juguetes. Los he juntado a través de toda mi vida con el científico propósito de entretenerme solo. El niño que no juega no es niño, pero el hombre que no juega perdió, para siempre al niño que vivía en él y que le hará mucha falta. He edificado mi casa también como un juguete y juego en ella de la mañana a la noche”. (Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. São meus próprios brinquedos. Juntei-os através de toda minha vida com o científico propósito de entreter-me sozinho. O menino que não brinca não é menino, porém o homem que não brinca perdeu, para sempre, o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta. Construí minha casa também como um brinquedo e brinco nela da manhã à noite.)

Do Chile enviarei notícias poéticas. Com a Ode ao Vinho, de Neruda, ergo um brinde pela paz maior que odos desejamos para o ano novo que se iniciará dentro de algumas horas.

Oda_al_vino

ODA AL VINO

Pablo Neruda

Vino color de día
vino color de noche
vino con pies púrpura
o sangre de topacio
vino,
estrelloado hijo
de la tierra
vino, liso
como una espada de oro,
suave
como un desordenado terciopelo
vino encaracolado
y suspendido,
amoroso, marino
nunca has cabido en una copa,
en un canto, en un hombre,
coral, gregario eres,
y cuando menos mutuo.

El vino
mueve la primavera
crece como una planta de alegría
caen muros,
peñascos,
se cierran los abismos,
nace el canto.
Oh tú, jarra de vino, en el desierto
con la saborosa que amo,
dijo el viejo poeta.
Que el cántaro del vino
al peso del amor sume su beso.

Amo sobre una mesa,
cuando se habla,
la luz de una botella
de inteligente vino.
Que lo beban,
que recuerden en cada
gota de oro
o copa de topacio
o cuchara de púrpura
que trabajó el otoño
hasta llenar de vino las vasijas
y aprenda el hombre obscuro,
en el ceremonial de su negocio,
a recordar la tierra y sus deberes,
a propagar el cántico del fruto.

ODE AO VINHO

Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
fecham-se os abismos,
nasce o canto.
Ó tu, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou o outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

versão ao Português de Cleto de Assis
Imagem

Mais um tijolinho na construção

Meia_felicidade

Poesia na Escola

Lido em um livro escrito há quinze anos

Os verdadeiros professores e os verdadeiros alunos não terão horas suficientes para aprofundar-se no uso das novas tecnologias se não decidirem a abandonar, antes, as antigas. Pode ser um processo paulatino, mas há de ser rápido e integrador.                                                                                             .
Podemos encontrar um modelo a ser seguido na experiência do Gymnasium de Gütersloh (Alemanha), mantido pela Fundação Bertelsmann, que combina a manutenção das tradições religiosas e culturais com a introdução de conteúdos e técnicas modernas, outorgando grande importância à música e às artes criativas. É grande o risco de que essas disciplinas desapareçam dos currículos de ensino, esmagadas pela onda de tecnicismo que nos invade. Convém perguntarmo-nos, por exemplo, a respeito do futuro da poesia. Ausente na maioria das salas de aula dos Estados Unidos, os jovens de hoje cada dia se sentem menos atraídos por leituras desse gênero. Os poetas de antigamente foram substituídos pelos cantores atuais. Com todo meu respeito e minha admiração a esses cantores, a verdade é que fizemos um mau negócio com essa troca. (Cebrián, Juan Luis. A Rede – como nossas vidas serão transformadas pelos novos meios de comunicação. São Paulo: Summus, 1999)

E no Brasil? Fomos mais longe: para gáudio de nossa moçada, foi inventado o brega universitário, isto é, o brega superior, de terceiro grau, daqui a pouco ofertado em pós-doutorado. E para os que se amarram em tecnologia, temos o tecnobrega. Para que poesia?

A ilustração acima foi premiada no projeto da E.M. Nações Unidas. Infelizmente não conseguimos encontrar o nome do aluno/autor.

A ilustração acima foi premiada no projeto da E.M. Nações Unidas (RJ). Infelizmente não conseguimos encontrar o nome do aluno/autor.

 Mas ainda há esperança, ainda há bons professores. Vejam, no vídeo abaixo, o exemplo do Projeto Poesia na Escola 2012 – Trabalho Anual de Produção Poética articulado e desenvolvido com alunos do 6º ao 9º anos, sob orientação do professor da Sala de Leitura. A Escola Municipal Nações Unidas, do Rio de Janeiro, foi a responsável por esse projeto, que se multiplicou em várias atividades, motivadas pelo centenário de Vinicius de Moraes.

Para animar a reconstrução

De tijolinho em tijolinho

Enquanto não fica pronta a nova sede do Banco da Poesia, vou usar alguns tijolinhos para deixar a obra mais animada.

Há alguns dias, um amigo me perguntou: — Você faz haicais? Prontamente respondi que não, pois sempre achei esse tipo de poema, criado pelos japoneses, mais coerente com o idioma oriental, constituído por ideogramas, em que há comunicação linguística diversa da ocidental, toda linear. Deve ser, além de receber a mensagem do poeta, muito prazeroso contemplá-la também plasticamente e entendê-la de forma mais aberta. 

Mas a pergunta serviu como um incentivo para experimentar.

Entretanto, o rigor da definição japonesa, mesmo transposta para nós, faz desse tipo de composição poética uma forma exclusivamente dedicada à observação da natureza e suas nuances, além de exigir a métrica 5-7-5, o que sempre se transforma em desafio técnico, em detrimento da liberdade de expressão criativa. A adaptação do haicai para a linguagem ocidental gerou variações, como o Poetrix, (de poesia + três), cultivado pela nossa poetamiga Marilda Confortin e por um grupo nacional que já virou movimento. Pena que acabamos esquecendo da nossa quadra ou trova, herança portuguesa, que, por sua singeleza, era veículo de difusão da poesia entre o povo e o público infantil. (A propósito, João Manoel Simões publicou, no início deste ano, “Trovas que minha mãe me inspirou & outras quadras”, sobre o qual me dedicarei, oportunamente. E lembremo-nos do mestre de todos nós, Fernando Pessoa, cujas quadras foram reunidas no volume “Quadras ao gosto popular”.)

Rompida a rigorosa tradição oriental ou, como diriam os cientistas, quebrado o paradigma, tomei coragem e invadi o reino dos poemetos sintéticos.

Desculpem-me pela digressão exagerada, que mais parece pedido de perdão antecipado pelos haicais que virão, em forma de tijolinhos de construção. Vamos ver para que servirão.

Haicai

Segundo tijolinho

Malpassada

Reforma Bancária

Reforma_Banc2

Após algum tempo de recesso voluntário, o Banco da Poesia quer anunciar seu retorno, abrindo suas portas a clientes e amigos que sempre lhe prestigiaram. Estamos em obras, preparando algumas inovações. Vamos dinamizar nossa sede, com acréscimo de recursos que o mundo da informática nos oferece e tornarão mais atraente e dinâmica nossa interação com os leitores.

Apesar do grande silêncio, nos últimos meses, acumulamos um grande número de visitas e recebemos muitos seguidores, o que nos incentiva ainda mais a continuar a desbravar o mágico mundo da poesia, o mundo plural da poesia. Plural como o universo, como lembrava Pessoa. Até já. Faltam apenas alguns tijolinhos. C. de Assis

Encontrado em um baú da memória

Métaphores comme réponse tardive

  • Cleto de Assis

Métaphores

 Foram-se os intatos espíritos (aro)máticos
junto aos louros olímpicos
e o cristo redivivo.

Como se vê, não alcançou-me Perséfone:
enlaçou-me o  luto infausto por outro corpo
(minhas parcas mônadas foram inúteis).

Ancoradas, aqui, apenas as três últimas palavras,
sem qualquer ressonância,
a exorar confiança.

Et la vie continue…

Os números de 2012 no BP

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório sobre o ano de 2012 do Banco da Poesia. Apesar da pouca atividade do seu gerente (que promete abrir a agência com mais frequencia durante este ano), surpreenderam-me os números registrados.  Feliz 2013 para todos os amigos e leitores!

Aqui está um resumo:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 110.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Das Alagoas chegam santas águas

Declaração de amor à água

Walter Bezerra – Alagoas

Nascente da nossa utopia, água doce dos nossos sonhos, água pura da nossa infância cristalina. Pingo de gente, transparências, rebeldia.

Bica no quintal, cair n’água, corpo molhado, roupa encharcada, conter a água da pingueira na mão em concha, meter com gosto o pé na poça d’água, barquinho de papel, soltar bolas de sabão.

O reflexo da lua, o rosto refletido no espelho ondulado do rio.

Água de beber, da quartinha, pote, jarra, cântaro, moringa, cantil, bilha, cuia, filtro. Filtros de nossas experiência e buscas.

Matar a sede; sede de viver.

Lavar o corpo, lavar roupa, lavar pratos, lavar a alma.

Mergulhar, nadar, pescar, surfar, velejar, navegar sem rumo, sem remo.

Água doce, salobra, salgada, água mineral, água destilada, água morna, água fria, água benta, água de cheiro, aguardente, aguaceiro.

Águas que se movem feito correnteza em nossas veias e que, muitas vezes, transbordam de emoção em dilúvios, tempestades.

Dissipam-se, precipitam-se, deságuam.

Chamam-na também de hidróxido, monóxido, protóxido de hidrogênio.

Chuva chovendo, pingo d’água pingando. Neve, neblina, granizo, orvalho, garoa.

Águas que enchem mares, rios, riachos, glaciares, lagoas, lagos, lagunas, adutoras, açudes, poços, cisternas, cacimbas, barris, tonéis, baldes, bacias e se fazem reservas nos porões do Planeta.

Lembram-nos as caravelas, balsas, canoas, botes, navios, submarinos, travessias, travessuras.

Poseidon, Medusa, Atlântida, Noé, sereias, carrancas, Iemanjá.

Águas do Atlântico, Pacífico, Nilo, Amazonas, Golfo do México, Mississipi, Velho Chico, Alagoas, Manguaba, Niquim, Mundaú.

Berços do boto cor-de-rosa, cavalo-marinho, água-viva, tartarugas, peixe-boi, piranha, foca, pinguim.

Sururuuuuu, fresco! Vai passando o camarão! Olha a ostra, polvo, taioba, piaba, caranguejo, bagre, camurim, pilombeta, muçum, agulhinha, surubim, pisirica, traíra, pitu, mororó, mandim!

Água de onde se originou as espécies, segundo Darwin, e que batizou Cristo, segundo a Bíblia.

Água que cai do céu generosamente e se faz energia, luz.

Onipresente nos campos, irrigando feijão, arroz, milho, mandioca, linhaça, brócolis, uva, caju, cajá.

Água que inspira os poetas e se eterniza canção e esperança: “Lata d’água na cabeça/lá vai Maria, “Foi um rio que passou na minha vida”, “São as águas de março vencendo o verão”, “Terra! Planeta Água”.

Som da chuva batendo no telhado, chuva molhando tulipas, bromélias, acariciando as palhas do coqueiro, as folhas da mangueira, correndo rios afora. Marulho das ondas, cachoeira cantando, divina sinfonia aquática.

Fonte e essência da vida, a água é mãe.

Se nós não preservamos e conservamos idolatra e amorosamente esse ouro líquido, a nossa consciência se evaporará, gota a gota.