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Ainda matando a sede

No domingo, enquanto preparava o post sobre o Dia da Água (ver abaixo), senti vapores de inspiração e me imaginei navegando por meu ser aquático, que já deve estar na proporção de 50%, se estiverem corretos os estudos hidrológicos do corpo humano. Terminado o trabalho mais importante, continuei no computador e as palavras seguintes verteram na tela, quase em caudal. Graças aos poetas que me acompanharm por toda a tarde.

Sou água

Cleto de Assis


Sou água impura
sem cura,
em busca da transparência.
xxxxSou água escura
xxxxsem resplendência.

Mas tenho a vontade de ser
água potável ofertada
aos que têm sede, golada,
sorvida, transfigurada.

Sou a água na parede
Lacrimejante do inverno.
Sou água em vapor no inferno
a tentar fuga sem rumo.
Sou água do fio de prumo
buscando o nível da vida.
Eis-me água estremecida
pela brisa sussurante
que o espelho desalisa.
Sou água que catalisa
A energia semovente.
Sou essa água corrente
em busca do mar sem fim.
Sou chuva de tempestade,
sou garoa da cidade,
sou a gota do rocio,
sou goteira, sou o rio,
rios que tenho em mim.

Curitiba – 21.mar.2010