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Reflexão de uma segunda-feira de carnaval

A PA_LAVRA

a_pa_lavra

A pá lavra o campo
para afofar a cama às sementes.
A pá cava a sete palmos
para garantir o repouso na campa.

Porque palavra, alimento e morte
são necessários para o seguir da vida.

Cleto de Assis – 03/03/2013

Erly Welton cicunloquial

Periférico

Erly Welton Ricci



não voa a alma naquilo que digo
ela já está
isso que você vê como névoa de cores insondáveis
espalhada em todos os campos
é a expansão intermitente e começou desde sempre
está na pedra, na placa e na praga
na areia, na água e na águia
na letra, na lente e na pele da palavra

por isso minha alma não é passional
nem minha
o verbo também
espalhado por todos os campos
amém

_____

Ilustração: C. de A.

O Poder da Palavra

Continuamos com nossa campanha publicitária em favor da Poesia.

Poder_da_Palavra_Cleto_de_Assis

Poema inédito de João Batista do Lago

Palavra

palavra

Coisa estranha este fenômeno: Palavra!
Nela tudo se decompõe
Numa razão assimétrica
Incoerente e disfuncional
Para no ato seguinte
Ser toda ela funcional
De toda metafísica que se impõe

Não conheço qualquer ser
Que dela não dependa
Nada se lhe escapa
– seja na vida;
seja na morte

Tudo dela depende:
Paz e guerra
Homem e mulher
Criança e adulto
Fome e fartura
Miséria e riqueza
Leis e anomia
Patrão e empregado
Trabalho e desemprego
Céu e terra
Deus e diabo…

Não há na vida
Nem na morte
Sujeito de tamanha grandeza
Dela tem-se toda verdade
Mas a mentira nela invade

Ó, a Palavra!
Reina de todos Poetas
Dela fazem uso os Filósofos
A ela se quedam os cientistas
Diante dela ajoelham religiosos
Na retórica é brinquedo de sofistas

Santa e demoníaca é a Palavra!
Desperta amor e ódio
Fere a alma e o espírito como faca de dois gumes
Rasga a carne do verbo
Dilacera corações de amantes (e)
Beija as mãos que apedreja

Palavra! Ó tu, meiga e doce Palavra!
Rude e azeda como o fel da ponta da lança
Voraz, caidiça, decrépita e senil
Bela, altiva, nobre e digna
Arrogante, soberba e presunçosa
Sou-te o mais humilde escravo na floresta do discurso

Nada – desde a poeira do nada – define-te. Nada!
Explicar-te é todo o mistério
Entender-te é tudo que se deseja
És toda possibilidade do Ser – deus ou diabo –
Habitas no sonho, na realidade e no real
Constróis e desconstróis paraísos e infernos

És o símbolo oculto da mandala
De Parmênides a Sócrates
De Platão a Aristóteles
Sânscrita, ó Palavra, tu és
És mestre do hinduismo e do budismo e do tantrismo
És, enfim, a Paidéia de tudo ser