Arquivo do dia: 21 de maio de 2010

Roberto Prado viaja sobre nuvens cósmicas

Conheci Roberto Prado de forma equivocada, durante e após a explosão de um debate internetiano em um site de literatura. Palavras trocadas, em todos os sentidos, geraram um súbito mal-estar entre pessoas que têm na poesia um elo inquebrantável de união. Talvez uma faísca gerada pelo encontro inesperado de duas gerações que se desconheciam mutuamente. Talvez nada disso, só a falha (ou defesa natural) humana da súbita raiva projetada pelo cérebro reptiliano que comanda as nossas mais primitivas reações de sobrevivência. Feitas as contas, após o retorno da razão, salvaram-se todos e surgiu a oportunidade para novas relações produtivas.Sem maiores detalhes, pois todos já saímos da UTI da quase irracionalidade, posso afirmar que restaram ricas lições a orientar os passos seguintes. Um deles, que assumi, foi procurar conhecer um dos protagonistas do debate, para verificar o seu roteiro de construtor da sensibilidade, notadamente como poeta. Descobri seu blog, Amplo Espectro, e encontrei farto material de reflexão sobre muitas coisas e poesia muita, esparramada entre textos de amigos e conhecidos.Por iniciativa de Roberto, que visitou o Banco da Poesia e aqui deixou um comentário positivo, foi inicado novo diálogo, que funda um marco de bom relacionamento com a publicação, hoje, de um poema de sua lavra, fartamente ilustrado por esta pessoa que vos escreve.

Retirei do site de Antonio Miranda o seu resumo biográfico.

Roberto Prado de Oliveira nasceu em Curltiba-PR em 31 de agosto de 1959. E publicitário e jornalista. Foi ator, autor e diretor teatral de 1975 a 1981. Para o cinema escreveu os roteiros de Barbabel, média-metragem, 1997, com Rodrigo Barros Homem Del Rei; Em Nome da Honra, longa- metragem sobre obra de Domingos Pellegrini Jr., 1999, com Aníbal Marques; Você é Bom, média metragem, 2000, com Antonio Augusto Freitas.

Publicou, pela Lagarto Editores, os livros com poemas escritos em parceria com Antonio Thadeu Wojciechowscki, Marcos Prado (seu irmão, já falecido), Sérgio Viralobos, Edilson Del Grossi: OSS – Poemas a 2, 4, 6 ou 8 mãos; Dois mais dois são três em um; Pérolas aos poukos; Erdeiros do azar; Eu, aliás, nós.

Traduziu, com Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski, Sérgio Viralobos e Edilson Del Grossi: O Corvo, de Edgar Allan Põe (Curitiba, 1.° edição em póster, 1985 e 2.° edição trilingue, São Paulo, editora Expressão, 1987); Os Catalépticos (Lagarto Editores, 1991), com traduções de Dante Alighieri, Yeats, Rimbaud, Baudelaire, Camões, Edgar Allan Põe, Adam Mickiewicz e Shakespeare; em 2001, em colaboração com Alberto Centuriâo de Carvalho e António Thadeu Wojciechowski, publicou uma livre adaptação em forma de poemas de Tao – O Livro, de Lao Tse. Individualmente, publicou Sim Senhor às suas ordens isto é um Motim (Lagarto Editores, 1994).

Como compositor, teve várias canções gravadas pelo grupo Beip AA Força, nos discos Que me quer o Brasil que me persegue (1990); Música ligeira nos países baixos (1993); Sem suingue (1996) e Barbabel (1998); Lábia Pop (Carta ao ídolo, 1991); Missionários (Wo is WxO, 1992); com Talara (Jogo de espelhos, 1979) e na coletânea Cemitério de Elefantes (diversos, 1990), “1”, diversos (1994); Network, Vol. 1 (Sheffield, Inglaterra, 1993); Grupo Fato (Fogo Mordida, 1996), Sidail César (Chega de Choro, 1998), Adriano Sátiro (A caminho do céu, 1998).

No pouco relacionamento, já descobrimos que temos algo em comum, a admiração pelo poeta goiano Gilberto Mendonça Teles, que elogiou seus versos quando passou, há alguns anos, por Curitiba.

Em breve, notícias mais atualizadas, que poderão ser fornecidas depois pelo próprio poeta. A ele, nossas boas-vindas e a remessa, desde já, de seu certificado de correntista do Banco da Poesia.

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Ó, céus!

Roberto Prado, Curitiba

deliberações sintéticas da ordem dos geômetras nefelibatas

1. Um grande sólido geométrico.

mal de deserto com água se cura
nada por perto, chover é precipitação
cúmulo mesmo é formar uma figura
nuvem que deixa ver densa a solidão

2. Elementos obedientes.

de olhos fechados eu desvendo
pobre cego de tanta idiotia
mistérios? esse sol nascendo
só para comprovar minha teoria

3. Supremacia da fórmula.

com a ajuda do meu céu
de nuvens esparsas fiz uma você
agora que eu passei para o papel
não está mais aqui quem te vê

4. Compasso de esfera.

o sol é um sólido insolente
o belo horizonte, uma linha
eu traço e eis o nascente
no ninho, poente, a galinha

5. Linha férrea.

mesmo contando nos dedos
tudo o que eu calculo bate
desastre não tem segredos
agora sim, astros, ao debate